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quarta-feira, 24 de maio de 2017

P315 - MEMÓRIAS DE MANUEL JANES EX. 1º CABO "O VIOLAS" DA CCAÇ 1427- CABEDÚ (1965/1967)

MSG de Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494 (Xime-Mansambo, 1972/1974) 

com data de; 19 de Maio de 2017

Caríssimo Camarada Sousa de Castro. Conforme te dei conta em narrativa anterior, esta relacionada com as memórias do camarada Manuel Janes "O Violas", da CCAÇ 1427, são das pequenas histórias que surgem, naturalmente, novas histórias, e que nos permitem o aprofundamento da sua historiografia a partir das vivências, individuais e colectivas, gravadas durante a nossa passagem por terras africanas, de que é exemplo paradigmático, o caso da Guiné. Assim sendo, eis o segundo trabalho sobre o caso do camarada "Violas". Com um grande abraço de amizade. Jorge Araújo. Maio/2017



1.   INTRODUÇÃO
Manuel Janes, 2017

O encontro/convívio de ex-combatentes no CTIGuiné realizado no passado dia 25 de março, no Monte da Caparica, Município de Almada, em que participaram camaradas de várias Unidades que aí cumpriram a sua missão em diferentes épocas e locais, permitiu partilhar memórias únicas pois só os próprios a sabem contar como ninguém.

O destaque dessa reunião vai, no entanto, para o camarada Manuel José Janes, também conhecido por 1.º Cabo “O Violas”, alcunha pela qual passou a ser conhecido desde o início pelos seus pares, tendo por companheiras inseparáveis: uma G3 e a sua viola.

Para recordar aquela que foi a sua apresentação, recupero alguns factos narrados no P308. “Quando o almoço decorria com uma natural tranquilidade, eis que se aproxima de nós um indivíduo trauteando alguns versos do seu fadário vivido durante a Guerra do Ultramar, em estilo musical de fado. Era, nem mais nem menos, o proprietário do restaurante, também ele ex-combatente na Guiné, pertencente ao contingente da CCAÇ 1427, Unidade que esteve sedeada em Cabedú, na região de Tombali, no Sul, nos anos de 1965/1967”.

Região de Tombali - vista aérea do Destacamento de Cabedú ao tempo da CCAÇ 1427


2.   O CAMARADA MANUEL JANES “O VIOLAS” DA CCAÇ 1427

Procurando saber mais histórias da sua missão em Cabedú e da sua Unidade (CCAÇ 1427 - 1965/1967), para além das que nos contou durante aquele primeiro evento, encontrei-me recentemente com o camarada Manuel Janes. Durante a nossa cavaqueira de cerca de três horas, com uma ordem de trabalhos completamente arbitrária, mas sem descurarmos o tema base do nosso encontro – “memórias da Guiné” –, a determinada altura divulguei-lhe aquele que para ele seria uma novidade: o de ter tido notícias do camarada Manuel Caldeira Coelho [fur mil trms da CCAÇ 1589 (Nova Lamego e Madina do Boé - 1966/1968)], conterrâneo de Reguengos de Monsaraz e seu grande amigo, que nos idos anos de 1964 haviam fundado um trio vocal.

Recebendo o meu segredo ou confidência com grande satisfação, fez questão de o contactar enviando-lhe uma mensagem SMS de agradecimento.

Na sequência da primeira narrativa [P308], na qual faço referência ao nome e à pessoa do Manuel José Janes “O Violas”, o camarada Manuel Coelho (a quem agradeci sensibilizado) respondeu-nos, através de correio interno, o seguinte:

“Caros editores, ao ler o poste 17206[luisgraca&camaradasdaguine] do dia 4, de autoria do camarada Jorge Araújo, não podia deixar de dar uma "achega" referente às capacidades do Manuel José Janes como cantor e autor.
Somos da mesma terra (Reguengos de Monsaraz) e fundámos um trio vocal em 1964 para nos divertirmos a actuar a nível regional. Temos uma gravação feita num gravador de bobinas emprestado, não sei se poderá ser incluído neste testemunho.
Com uma voz linda de se ouvir em qualquer apresentação, não quis o destino que seguisse carreira artística.
Fomos cada um para seu lado no serviço militar e entretanto a 2.ª Região Militar [Tomar] reuniu vários artistas amadores ou não, para espectáculos em vários locais designadamente na Guarda onde houve festa pela reabertura do quartel do BC 7.
Lá chamaram a ele e a mim e foi um êxito que nos fez repetir no Coliseu de Lisboa e a gravar este espectáculo na RTP transmitido em 15/7/1965 e apresentado por Carlos Cruz.
Ocasionalmente encontrámo-nos em Bissau de férias. O que ele me contava de Cabedú e de Catió era tremendo, acho que alguém poderá convence-lo a descrever essas histórias passadas com a CCAÇ 1427. Eu poderei contactá-lo para isso.
Resumindo: uma voz fabulosa, uma escrita em verso não aproveitada e um destino não como artista mas como industrial de hotelaria.
Perdeu a vida artística mas ganharam os amigos e clientes da sua casa que sempre o ouvem lá cantar e conviver”.
Manuel Coelho.

Aqui chegado, e para concluir este apontamento, resta-me apresentar algumas (poucas) imagens de Cabedú, prometendo voltar logo que o camarada Manuel Janes localize o seu baú, uma vez que mudou de residência recentemente. Daremos conta, ainda, da «Marcha de Cabedú», da CCAÇ 1427, com letra e música da sua autoria.

Comprometeu-se, finalmente, a dar-me conta da data do lançamento do seu livro de poesia que, segundo me confidenciou, está para breve.

Região de Tombali - Destacamento de Cabedú ao tempo da CCAÇ 1427 (1965/1967)

Região de Tombali - Destacamento de Cabedú: parte do contingente da CCAÇ 1427 (1965/1967) onde se vê o camarada Manuel Janes “O Violas” no interior do círculo com uma das suas companheiras inseparáveis - a viola.


Letra da «Marcha de Cabedú» da CCAÇ 1427

da autoria de Manuel José Janes “O Violas”



Obrigado pela atenção.
Um forte abraço de amizade com votos de muita saúde.
Jorge Araújo.
18MAI2017.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

P314 - XXXII ALMOÇO CONVÍVIO DA CART 3494/BART3873 EM TONDELA - VISEU, NO DIA 11 DE JUNHO DE 2017




INTRODUÇÃO

Participou na guerra do Ultramar, na Província Ultramarina da GUINÉ ao serviço de PORTUGAL, na zona Leste, Xime, Enxalé [um pelotão] e mais tarde em Mansambo onde terminou a comissão.
- O pessoal do BART 3873 que compôs os seus quadros – CCS, CART 3492, CART 3493 e CART 3494, metropolitano de origem, era natural em grande parte do Norte (MINHO E DOURO) e Centro (BEIRAS).
- A concentração dos novos mobilizados começou a 15 de Novembro de 1971 e terminou a 27 do mesmo mês.
- Embarcou em Lisboa a 22DEC71, N/M "NIASSA" a qual renderia a CART 2715 do BART 2917 no Xime, regressou à Metrópole em 03 de Abril de 1974 por via aérea, nos TAM (Transportes aéreos militares).
- Foi substituída pela 1ª CCAÇ/BCAÇ 4616/73 que chegou a Mansambo em 11 de Fevereiro de 1974.

PROGRAMA

- CONCENTRAÇÃO -
 JUNTO Á “ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS COMBATENTES DO ULTRAMAR”, EM TONDELA
- REPASTO -
 
"QUINTA DO BARREIRO"  
Quinta do Barreiro, Couto de Cima 3510-602 | Viseu | Portugal
40° 40' 18.661"N   8° 0' 19.156"W
SITUADA ENTRE VISEU E TONDELA

Façam por estar presente, a comissão agradece
SdC (Sousa de Castro),
quinta-feira, 11 de maio de 2017

Vd. Postes
Publicado aqui: http://ultramar.terraweb.biz/2017_06_11_CArt3494.htm  e do XXXI convívio em Arcozelo, V. N. Gaia,  2016 aqui: https://cart3494guine.blogspot.pt/2016/06/p269-convivios-xxxi-convivio-anual-da.html

terça-feira, 9 de maio de 2017

P313 - REALIZOU-SE NO PASSADO DIA 29ABR17 O ENCONTRO/CONVÍVIO DOS CINQUENTA ANOS DA CHEGADA DA CCAÇ 1439 [FUNCHAL / LISBOA] (Caldas da Rainha, 29 de Abril de 2017) - XXVI EDIÇÃO, COM A PRESENÇA DOS PEL CAÇ NAT 52 E 54 (Jorge Araújo)

Caríssimo Sousa de Castro.

Por nele ter participado e assumido a responsabilidade da sua elaboração/divulgação, anexo o texto relacionado com o Encontro/Convívio da CCAÇ 1439 (Enxalé, Porto Gole e Missirá; 1965/1967) realizado no passado dia 29 de Abril, na cidade das Caldas da Rainha, onde se cantaram os parabéns pela passagem dos 50 Anos da chegada da Unidade formada no BII19, no Funchal.

Com um forte abraço de amizade.

Jorge Araújo.


MAI2017

GUINÉ
Companhia de Caçadores 1439 (1965-1967)
[Enxalé – Porto Gole – Missirá]
ENCONTRO/CONVÍVIO DOS CINQUENTA ANOS DA CHEGADA DA CCAÇ 1439 [FUNCHAL / LISBOA]
(Caldas da Rainha, 29 de Abril de 2017)
- XXVI EDIÇÃO, COM A PRESENÇA DOS PEL CAÇ NAT 52 E 54 -

1 – INTRODUÇÃO
O colectivo de ex-combatentes da CCAÇ 1439 reuniu-se no passado sábado, 29 de Abril, na cidade das Caldas da Rainha, reforçado com a habitual presença dos quadros continentais pertencentes aos Pelotões de Caçadores Nativos n.ºs 52 e 54, por terem, todos, calcorreado idênticos itinerários, em matas, trilhos e bolanhas, durante a mesma época, no triângulo Enxalé, Porto Gole e Missirá.
Para além de ser já uma prática tradicional anual, o Encontro/Convívio Nacional deste ano – XXVI Edição – tinha um significado muito especial, pois estava associado às comemorações do «cinquentenário» do regresso “a casa” da Unidade formada no Batalhão Independente de Infantaria 19 [BII19], no Funchal, depois de cumprida a sua missão na Guiné (1965-1967).
Foto 1 – (Funchal; 01.08.1965). Jantar de despedida do contingente da CCAÇ 1439, ficando depois a aguardar pelo N/M Niassa, para seguirem até Bissau.
A Comissão Organizadora do evento esteve, este ano, a cargo do camarada João Crisóstomo e da amiga Maria Helena Carvalho.
O camarada João Crisóstomo, ex-alf mil da CCAÇ 1439 (“A Madeirense”), veio expressamente de Nova Iorque, onde reside há mais de quatro décadas, com início no ano de 1975. Do seu vasto currículo retirámos, com a devida vénia, as seguintes actividades: em NY, durante os primeiros quatro anos (1975-1979), exerceu a sua profissão como mordomo de Jacqueline Kennedy Onassis (1929-1994). Depois, entre 1979-1982, como gerente proprietário do restaurante nova-iorquino Cuisine du Coeur, e, finalmente, entre 1982-2015, como despenseiro de diversas famílias da alta sociedade nova-iorquina.
Aí abraçou diferentes causas com destaque para a defesa das gravuras de Foz Coa com o “SAVE THE COA SITE MOVEMENT USA” (1995) e o lançamento de iniciativas em defesa da independência de Timor-Leste através da LAMETA (1996-2002), designação do “Movimento Luso-Americano para a autodeterminação de Timor-Leste”.
Na Guiné, durante a sua Comissão de Serviço, ao camarada João Crisóstomo foi-lhe atribuída uma Cruz de Guerra de 4.ª classe.
Foto 2 – (Enxalé; 1965/1967). O camarada João Crisóstomo na companhia de outros elementos da sua CCAÇ 1439, todos eles atascados até à cintura, durante uma actividade operacional nas bolanhas do Enxalé.
Quanto à nossa amiga Maria Helena Carvalho, o seu envolvimento nesta organização dos veteranos da CCAÇ 1439 não nasceu agora. Ele vem acontecendo desde há muitos anos a esta parte, dando um grande contributo na concretização de cada projecto anual, como tive a oportunidade de constatar neste Encontro.
Helena Carvalho, como gosta de ser tratada, nasceu e cresceu no Enxalé (Guiné). Filha do empresário Amadeu Abrantes Pereira, proprietário de uma destilaria de cana-de-açúcar existente naquela localidade, situada na margem direita do rio Geba em frente ao Xime, e que fora abandonada em 1962 por questões de segurança, Helena Carvalho nunca deixou de ter um carinho muito especial pela sua terra de origem e, particularmente, a viver e a sentir o ambiente militar dos ex-combatentes naquele território de forma peculiar e muito especial.
Foto 3 – (Enxalé; Agosto de 1989). Helena Carvalho, no local que a viu nascer, em diálogo com elementos da população da Tabanca do Enxalé
Sobre a participação neste Encontro, que ocorreu fora da minha CART 3494 (1971-1974; Xime, Enxalé, Mansambo), ela resulta de um convite muito sentido feito pela nossa amiga Helena Carvalho depois de ter lido o meu texto aqui publicado em 2014 [P221] e de ter visto as fotos tiradas às máquinas que pertenceram ao seu pai.  
Foto 4 – (Enxalé; 21/22 de Julho de 1972). O Jorge Araújo junto a uma máquina da destilaria de cana-de-açúcar do pai da Helena Carvalho, abandonada em 1962.
2 – O PROGRAMA SOCIAL
O programa social do Encontro iniciou-se com a concentração a ter lugar no interior do Regimento de Infantaria 5 [RI5], hoje Escola de Sargentos de Exército [ESE], em cujas instalações seria concelebrada missa pelo senhor padre Vítor Melícias e pelo senhor capelão da ESE padre Luís Manuel Morouço, com início pelas 11h00.
A cerimónia litúrgica decorreu no Auditório 2.º Sargento José Paulo dos Santos, na qual marcaram presença, para além dos grupos das unidades acima referidas, um outro da 16-ª Companhia de Comandos (Guiné; 1968/1970).    
Foto 5 – (ESE – 29.04.2017). Entrada principal do Auditório 2.º Sargento José Paulo dos Santos, aonde, em 13 de Novembro de 2015, foi descerrada um placa em sua memória. O camarada José Paulo dos Santos perdeu a vida em combate na floresta de Catalabanza, em Angola, em 16 de Abril de 1963, onde perante uma granada de mão do inimigo que caiu na sua zona de acção, lançou-se sobre o engenho explosivo, impedindo assim que a detonação retirasse a vida aos subordinados que comandava.
Mais detalhes sobre a vida e a morte do camarada José Paulo dos Santos podem ser consultados nos seguintes endereços na net:
Finda a cerimónia religiosa, seguiu a comitiva em cortejo automóvel até ao Restaurante «A Lareira», situado no Alto do Nobre, na estrada em direcção à Foz do Arelho.
Aí o convívio foi reforçado com a degustação dos diferentes alimentos colocados à disposição dos presentes, combinados com alguns líquidos e muita conversa num itinerário de memórias de mais de meio-século. Pelo meio foram-se gravando algumas imagens para mais tarde recordar, principalmente as captadas pelas câmaras do amigo Álvaro Carvalho, marido da Helena Carvalho, o repórter de serviço.
No final, a anteceder a distribuição de lembranças a todos os presentes por parte da Comissão Organizadora, foi lido por Helena Carvalho um poema alusivo ao evento da autoria do camarada Ruben S. Dias (ex-alf da CART 3567, Mansabá – 1972/1974).
       ERA UMA VEZ
Eram bolanhas, matas e picadas,
Tabancas com batuque de pilão.
Eram saídas, minas e emboscadas,
Ataque ao quartel e a confusão.

Corriam para as valas, para os abrigos,
Atrás dum baga-baga ou embondeiro.
Ainda não foi desta, meu amigo!
Apalpavam o corpo… Estou inteiro!

Alguns caíram, ficaram nessa terra.
Meninos despojados do amanhã.
Não lhes disseram o porquê da guerra.
E, porque sem sentido, a morte é vã.

Adeus Mansoa, Mansabá, Farim,
Tabancas do Pilão e Chez Toi,
Adeus belas bajudas de Safim,
Cheche, Galomaro e Bafatá.

Mas a saudade ficará comigo.
Adeus amigos meus, adeus Guiné.
Adeus Samba Djaló, ó meu amigo.
Adeus ao pôr-do-sol no Enxalé.

29 de Abril de 2017
    (Ruben Dias)
3 – FOTOGALERIA.
Foto 6 – (C. Rainha; 29.04.2017). Espaço exterior do restaurante «A Lareira», onde se deu início à degustação das “entradas”…

Foto 7 – (C. Rainha; 29.04.2017). Eu (Jorge Araújo) e os elementos da Comissão Organizadora do XXVI Encontro da CCAÇ 1439 – Maria Helena Carvalho e João Crisóstomo.

Foto 8 – (C. Rainha; 29.04.2017). A mesa da Comissão Organizadora e convidados. Da esq/dtª – Álvaro Carvalho, Helena Carvalho, Jorge Araújo, Vilma Kracun (esposa do c. João Crisóstomo), António Abreu, Francisco Antunes (piloto da FAP, BA12 e Cmdt da TAP) e Henrique Matos (alf mil; 1.º Cmdt do Pel Caç Nat 52, Enxalé, 1966/1968).  

Foto 9 – (C. Rainha; 29.04.2017). Concluído o almoço, novas e velhas histórias da Guiné vieram à conversa.


Fotos 10 e 11 – (C. Rainha; 29.04.2017). Outras histórias partilhadas…

Fotos: 1 e 2 (João Crisóstomo); 3, 5, 9, 10 e 11 (Álvaro Carvalho); 4, 6, 7 e 8 (Jorge
Araújo).
Nota: O próximo Encontro da CCAÇ 1439 (XXVII) terá lugar em 26 de Maio de 2018.
Foi óptimo ter participado neste Encontro. Obrigado!
Com um forte abraço de amizade.
Jorge Araújo.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

P312 - ENCONTRO/CONVÍVIO BART 3873 EM OVAR, NO DIA 03 DE JUNHO DE 2017

SMS REC do Ten. Cor. Artª Ref. Jales Moreira com data de 06MAI171834

Encontro/convívio do BART 3873, EM OVAR

Dia 03 de Junho de 2017 pelas 12,30 Horas na Quinta do Paris, Válega – OVAR

- Os interessados devem contactar para:

Aníbal Tavares Grade, TM: 917 076 200

José Luz Antunes, TM: 919 708 776

Endereço da Quinta:

Quinta do Paris, Válaga
Rua Carvalho de Baixo 220
3880-571 OVAR

Tel. 256 588 161

Coordenadas GPS: 
Latitude; 40°51'2.11"N Longitude;   8°35'9.16"W

terça-feira, 2 de maio de 2017

P311 - EFEMÉRIDES DE ‘ABRIL’ QUE CONTINUAREMOS A RECORDAR (...) foi a 4 de Abril de 1974, fez quarenta e três anos, que aportámos ao Cais da Rocha Conde de Óbidos, em Lisboa, regressados de Bissau a bordo do Paquete Niassa

- MSG de Jorge Araújo com data de 30ABR2017 recordando Abril de 1974 referindo entre outras memórias, a chegada no dia 04ABR1974 a Lisboa a bordo do N/M NIASSA.
Convém referir que o Jorge Araújo foi o responsável pelo transporte e entrega de todo material da CART 3494, daí não ter viajado com a companhia nos TAM (Transportes Aéreos Militares no dia 03 de Abril de 1974). Foto abaixo.


SdC

 Regresso no Boing 707- Aeroporto de Bissalanca, Bissau 1974 - Foto do ex. Fur. Mlº Antero Santos, CCAÇ 3566 e CCAÇ 18

- Procurando manter vivas algumas memórias do ambiente militar vividos ao longo da nossa missão no CTIGuiné nos já longínquos anos de 1972 a 1974, às quais adicionei outras com elas relacionadas, e de valor semelhante, nasceu mais esta pequena narrativa.

O seu enredo, organizado de forma descontínua, reporta-se somente a algumas das efemérides - individuais e colectivas - gravadas durante o mês de Abril de vários anos.

Com um forte abraço de amizade.

Jorge Araújo.


Abril/2017  

GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)
EFEMÉRIDES DE ‘ABRIL’
QUE CONTINUAREMOS A RECORDAR
- individuais e colectivas -
1 – INTRODUÇÃO
O presente apontamento histórico, ainda que curto, é enorme no valor que lhe atribuímos, pois resulta de um conjunto de episódios impregnados de emoções versus tensões que continuaremos a recordar, tendo por cenário o contexto da guerra no CTIGuiné, no meu caso entre 1972 e 1974, e por enredo descontínuo alguns dos factos mais relevantes ocorridos no mês de Abril de diferentes anos.
Embarque do BART 3872 em LDG no Xime para Bissau  FEV 1974 (Foto de Juvenal Amado)
Ele incluiu-se, também, no âmbito das comemorações do 13.º Aniversário do nascimento do Blogue da Tabanca Grande [23Abr2004] e, por extensão, à organização do seu XII Encontro Nacional, a ter lugar no próximo sábado, dia 29 de Abril, em Monte Real, Leiria. Para todos segue um grande abraço de amizade.
Como afirmámos em narrativa anterior, Abril foi um mês fértil em recordações particularmente aquelas que se enquadram no ambiente militar, todas elas, porém, a ficarem cada vez mais distantes na fita do tempo do nosso projecto de vida terreno.
2 – ALGUMAS EFEMÉRIDES
Recordo, por exemplo, que foi a 4 de Abril de 1974, fez quarenta e três anos, que aportámos ao Cais da Rocha Conde de Óbidos, em Lisboa, regressados de Bissau a bordo do Paquete Niassa, por termos concluído a comissão militar obrigatória de dois anos, viagem com direito a escala no porto do Funchal. Aí, dois dias antes, naquela que era a sua terra de origem, ficaram meio-milhar de milicianos pertencentes a três Companhias Independentes formadas no BII 19: a CCAÇ 3518 (Gadamael), a CCAÇ 3519 (Barro e Bigene) e a CCAÇ 3520 (Cacine, Cameconde e Guileje).
Cais do Funchal [02Abr1974] – O Niassa momentos antes de zarpar rumo a Lisboa depois de aí ter deixado as Companhias de Caçadores n.ºs. 3518, 3519 e 3520.

Cais do Funchal [02Abr1974] – Momentos de descontracção à volta de um café, aguardando o regresso ao Niassa, cuja saída estava aprazada para as 16h00
Três semanas depois, a 25 de Abril, assistimos/participámos naquele memorável dia que determinou o fim do conflito ultramarino, e que desde 1961 se havia transformado em conflito armado, pondo em confronto o regime político português vigente, com recurso à mobilização das suas Forças Armadas [profissionais e milicianos], e os militantes dos movimentos independentistas das ex-colónias. Esta forma superior de organização emerge no seio da Casa dos Estudantes do Império [CEI], que fora criada em 1944, em Lisboa, pelo «Estado Novo», “para responder ao reforço do convívio dos estudantes universitários das ex-colónias que não possuíam instituições de ensino superior e que tinham assim que continuar a frequência universitária em Portugal”, e que seria encerrada, duas décadas depois, em 1965, por intervenção da PIDE. (in http://www.uccla.pt/casa-dos-estudantes-do-imperio e/ou o P14664-LG).
Sob o desígnio do direito dos povos à sua autodeterminação e à independência, por doutrina aprovada na «Resolução 1514 da ONU, de 14Dez1960», haveriam de despontar, no interior da CEI, os vários líderes africanos dos territórios de que eram originários, de que são exemplos: António Agostinho Neto (1922-1979), Amílcar Lopes Cabral (1924-1973), Jonas Malheiro Savimbi (1934-2002), Eduardo Chivambo Mondlane (1920-1969), Joaquim Alberto Chissano (n-1939-), Pedro Verona Rodrigues Pires (n-1934-), Marcelino dos Santos (n-1929-), entre outros.
Outra efeméride ocorreu três dias antes do 25 de Abril, mas de 1972, fez quarenta e cinco anos, quando iniciámos o «jogo da sobrevivência e da superação permanentes». A esse episódio chamam-lhe “baptismo de fogo”. No nosso caso [meu e dos restantes elementos do 4.º GrComb da CART 3494] ele teve lugar na Ponta Coli [imagens abaixo], local onde se concentravam as NT em missão diária de segurança a pessoas e bens, civis e militares, que circulavam na estrada Xime-Bambadinca.
O desenvolvimento deste combate travado pelo meu grupo da CART 3494 [curiosamente o mesmo que em 01 de Dezembro haveria de viver nova experiência] e os seus respectivos resultados, quer na primeira emboscada quer na segunda, podem ser consultados nas narrativas: P148, P152, P191 e P234.

A linha vermelha, ligando o Xime (aquartelamento) e a Ponta Coli (local da segurança), na estrada Xime-Bambadinca, era o itinerário diário utilizado pelas NT
Xime (Ponta Coli, 22 de Abril de 1972) – local do combate com o bigrupo do PAIGC, comandado por Mário Mendes (1943-1972). A cor vermelha indica as posições dos elementos do bigrupo. A linha azul refere a distribuição das NT, após o início da emboscada dirigida às duas viaturas em que nos fazíamos transportar.   
Este Cmdt do PAIGC viria a morrer em 25 de Maio de 1972, 5.ª feira, na acção «GASPAR 5», realizada por seis GrComb [três da CART 3494 e três da CCAÇ 12].
O “encontro” com o Cmdt Mário Mendes aconteceu na Ponta Varela, tendo-lhe sido capturada a sua Kalashnicov, bem como três carregadores da mesma e documentos que davam conta do calendário das “acções” a desenvolver naquela zona pelo seu bigrupo. [vidé P296].
Foi também em Abril, a 3 [P148 + P9698-LG], a 24 [152] e a 25 [P9802-LG] do ano de 2012, que iniciámos a publicação de/das memórias do CTIG, reforçadas com imagens do baú, muitas delas já descoloridas por efeito da corrosão temporal. Nesse mesmo ano, a 21 de Abril, marcámos presença, pela primeira vez, num Encontro Nacional de ex-combatentes da Guiné exterior à CART 3494, Tratou-se da VII edição da «Tabanca Grande» onde estiveram camaradas de diferentes épocas, unidades, locais e especialidades, convívio realizado, igualmente, em Monte Real.
Na edição deste ano não me foi possível repetir a já habitual presença anual, com muita mágoa minha, como dei conta em comentário [P17281-LG], por ter decidido aceitar o convite da nossa amiga Maria Helena Carvalho, filha do empresário Amadeu Abrantes Pereira, que era proprietário de uma destilaria de cana-de-açúcar existente no Enxalé [foto abaixo], situada na margem direita do rio Geba, em frente ao Xime, e que fora abandonada em 1962.

A nossa amiga Maria Helena, porque nasceu e cresceu no Enxalé, viveu e continua a viver com muita atenção o ambiente militar. Daí estar envolvida, de novo, na organização de mais um convívio anual da CCAÇ 1439 (1965/67 - Enxalé, Porto Gole e Missirá). No evento deste ano, a realizar no próximo sábado nas Caldas da Rainha, comemorar-se-á o cinquentenário (meio século) da chegada da Unidade a Lisboa. É, naturalmente, um número bonito e cheio de significado [vidé P17102-LG].
Quanto ao XII Encontro Nacional da Tabanca Grande, de novo em Monte Real, estou convicto que será, uma vez mais, um convívio com muito calor humano, harmonia e boa disposição, onde não faltarão as tradicionais iguarias da região, intercaladas com o conto de novas e velhas histórias vividas nos idos anos de sessenta/setenta do século passado, naquela terra que não esqueceremos – a Guiné.
Termino o presente quadro de efemérides com uma outra esta relacionada com a foto abaixo. Trata-se de uma imagem pessoal datada de 30 de Abril de 1972, domingo, pelo que fará, igualmente no próximo domingo, quarenta e cinco anos.
A foto é do aquartelamento do Xime, vendo-se ao fundo a entrada para a Tabanca, à direita mais próxima o edifício onde estavam instalados alguns furriéis. O edifício ao fundo, à direita, era a escola primária do Xime [Posto Escolar Militar n.º 8], onde estudou o nosso amigo José Carlos Mussá Biai.

Para a História ficará, também, um dos três símbolos da Pátria – a bandeira nacional. Os outros são o Hino Nacional e o Chefe de Estado.
Quanto à Bandeira Nacional (que perante ela todos nós jurámos servir) ela foi alterada com a implantação da República (5Out1910), passando a ter duas cores: a verde e a vermelha, na vertical.
Quanto ao projecto gráfico da bandeira da República Portuguesa ele é atribuído ao militar Abel Acácio de Almeida Botelho (1854-1917), coronel do Estado-Maior do Exército, natural de Tabuaço, onde nasceu em 23 de Setembro de 1854, tendo falecido em Buenos Aires, Argentina, em 24 de Abril de 1917, ou seja, completou recentemente cem anos.
A cor verde representa a esperança em melhores dias de prosperidade e bem-estar, enquanto o vermelho o valor e o sangue derramado pelo povo nas muitas guerras travadas, nas descobertas, na defesa e no engrandecimento da Pátria.
Bom fim-de-semana.
Boa Viagem
Bons Convívios
Com um forte abraço de amizade.
Jorge Araújo.
28ABR2017.